É certo que a Igreja sustenta a Segunda Vinda de Jesus. Um exemplo conhecido encontra-se na frase do Credo de Nicéia: “E de novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos”; e há outro na afirmação de São Paulo, de que os crentes serão “levados” até o Senhor. No entanto, no tocante a data e a natureza destes eventos, a Igreja diz muito pouco, uma vez que há certas coisas que são reservadas por Deus: “Quanto ao dia e a hora, ninguém sabe – nem os anjos dos céu, nem o Filho, mas apenas o Pai” (Mateus 24,36).
Baseado na crença do arrebatamento conforme é apresentada por algumas vertentes do Cristianismo, é crido pela Igreja que não será como apresentado. Por quê? São Paulo afirma que o tal arrebatamento só ocorrerá depois da ressurreição dos mortos e segundo a escatologia bíblica essa ressurreição só ocorrerá no Juízo final, depois de todas as tribulações terem cessado e também o reino milenar de Cristo ter acabado com sua volta, fato narrado no capitulo 20 de apocalipse. Esse não se trata de uma (abdução) celestial onde Deus ira transportar alguns e deixar outros sofrendo. Em Coríntios 15, mostra que todos os que estiverem vivos no dia da ressurreição passarão pela transformação corporal. Já em I Tessalonicenses 4. São Paulo deixa bem claro que todos os que estiverem vivos serão levados juntos com os que forem ressuscitados.
Análise dos textos:
(II Coríntios 5 2-10)
2. “E por isto suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste, 3.contanto que sejamos achados vestidos e não despidos. 4. Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida. 9. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-lhe. 10. Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo”
Nestes versículos apresentam-se algumas realidades:
1° Todos seremos julgados diante de Deus.
2° Aqueles a qual a vida justifica não com pareceram diante do juízo. Vers.: 4. “Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova (santidade) por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida.” Eles (Santos – justificados) não serão mais julgados, eles receberam o poder de julgar e a segunda morte não poderá afeta-los, o mais importante nesses versículos é a forma com que S. Paulo prega, ele diz que no tribunal de Cristo seremos julgados segundo o (bem e o mal) que fizemos (nesse corpo), por isso no dia do julgamento não podemos estar com esse corpo mortal.
(II Coríntios 15 35- 42)
“35. Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos? E com que corpo vem? 36. Insensato! O que semeias não recobra vida, sem antes morrer. 37. E, quando semeias, não semeias o corpo da planta que há de nascer, mas o simples grão, como, por exemplo, de trigo ou de alguma outra planta. 38. Deus, porém, lhe dá o corpo como lhe apraz, e a cada uma das sementes o corpo da planta que lhe é própria. 39. Nem todas as carnes são iguais: uma é a dos homens e outra a dos animais; a das aves difere da dos peixes. 40. Também há corpos celestes e corpos terrestres, mas o brilho dos celestes difere do brilho dos terrestres. 41. Uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua e outra a claridade das estrelas; e ainda uma estrela difere da outra na claridade. 42. Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível;”.
Explica-se:
Acontecerá à chamada transformação corporal, e essa transformação acontecerá com todos que ainda estiverem vivos no dia em que Jesus voltar, isso ocorrerá tanto para o justo quanto para o ímpio menos para os santos que já estão em Deus.
A volta de Jesus com os Santos e Anjos.
“Que ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!” (I Tessalonicenses 3,13).
“Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de seus anjos”(Judas 1,14).
Os Santos receberam o poder de nos Jugar.
“Vi também tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a Fera ou sua imagem, que não tinham recebido o seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma vida nova e reinaram com Cristo por mil anos. Feliz e santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo: reinarão com ele durante os mil anos”(Apocalipse capítulo 20,4-6).
Após o julgamento haverá a separação entre ímpio e justo (direita e esquerda). (Mt. 25)
“31. Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. 32. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34. Então o Rei dirá aos que estão à direita: – Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, 41. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: – Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos” .
Toda essa cronologia Bíblica para dizer:
1° Que há uma realidade de vida a pós nossa morte corporal. Que os Santos (os irrepreensíveis) estão em Deus, o seu espírito (ou alma OBS: desconheço o pensamento de vocês sobre a realidade espírito x alma), pois isso só acontecera na ressurreição.
2° Haverá uma segunda vinda onde acontecerá essa separação de justos e injustos.
3° O Santos iram receber o poder de julgar, os justos e os injustos segundo suas obras.
4°Essa vinda virá após uma grande tribulação, que os cristão dos primeiros séculos acreditavam ser a destruição do templo (Segundo Mt. 24; Mc 13; Lc 21). Por isso acreditavam na vinda eminente (naquela geração) de Cristo.
5° Na morte passaremos por uma transformação (I Cor. 15,51). Lembremos da realidade da vinda imanente de Cristo. Acreditava – se que nem todos passariam pela morte temporal (do corpo).
6º Os que já tinha morrido passariam pela ressurreição da carne (corpo glorificado) enquanto os vivos seriam transformados (I Cor. 15,52).
Ai vem outra dificuldade, a imortalidade. Os mortos já contemplam essa realidade, É preciso que nós (vivos) passemos da morte (corpo corrupiável) para vida em Cristo (Incorruptível).
Parusia/ Ressurreição dos mortos/ vida dos mortos:
Definitivamente “no último dia” (Jo 6,39-40.44-54); “no fim do mundo”. Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo: “Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1Ts 4,16).
Se é verdade que Cristo nos ressuscitará “no último dia”, também que, de certo modo, já ressuscitamos com Cristo. Pois, graças ao Espírito Santo, a vida cristã é, já agora na terra, uma participação na morte e na ressurreição de Cristo: “FOSTES SEPULTADOS COM ELE NO BATISMO, TAMBÉM COM ELE RESSUSCITASTES, pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. (…) SE, POIS, RESSUSCITASTES COM CRISTO, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Cl 2,12;3,1).
Unidos a Cristo pelo Batismo, os crentes já participam realmente na vida celeste de Cristo ressuscitado, mas esta vida permanece “escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3). (CIC- 1003) *Mortos pelo batismo.
Para ressuscitar com Cristo é preciso morrer com Cristo, é preciso “deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor” (2 Cor 5,8). Nesta “partida” que é a morte, a alma é separada do corpo. Ela será reunida a seu corpo no dia da ressurreição dos mortos. A morte para nós Cristãos é na realidade “salário do pecado” (Rm 6,23). Assim ela se torna inimiga do homem, que será o ultimo a ser vencido. (1 Cor 15,26).
Na passagem de Lc 16,20-31 sobre o Rico e Lazaro, Jesus mostra em parábola que ambos tem consciência de sua realidade. Enquanto lazaro repousa no seio de Abraão o rico vai para os “tormentos do inferno”. Então o que seria este inferno? (Ausência da presença de Deus – morada dos mortos). Jesus ensina que o justo é levado à presença de Deus pelos anjos, enquanto o ímpio é jogado no inferno. Estamos falando do espírito humano, pois os dois ressuscitarão no Dia do Senhor (volta de Cristo); o primeiro para a Glória Eterna, o segundo para o Castigo Eterno.
Os mortos estão dormindo?
Quando a Escritura diz que alguém que morreu está dormindo, ou descansando, está se referindo à bem-aventurança alcançada por ter morrido na amizade de Deus, e não porque a alma esteja dormindo. Lemos isso em: Sl 94,8-11; Is 63,12-14; Dt 12,10. O prêmio dos “justos” é esta em Deus. Deus livra a alma do justo da habitação dos mortos (Sl 48,14-16) seu destino é: o corpo volta para terra e alma vai para o Céu. “….E o pó volte à terra, como era, e o espírito volte a Deus que o deu” (Ecl 12,7).
Em (At. 2, 59) na morte de Estevão, ele tem a consciência que seu espírito vai para Deus: “E apedrejavam Estevão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito”.
A doutrina da Igreja é clara quando se refere à morte dos Santos, Justos e injustos. Cada pessoa vai ter seu próprio julgamento de forma particular definitiva conforme Hebreus 9 27, e, por conseguinte irar para uma realidade transcendente. Temos que ter a consciência que a vontade de Deus é que todos se salvem; e “que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se” (2Pd 3,9). Se morrermos na amizade de Deus, com pecados “leves”, pequenos arranhões, nossa alma vai para o purgatório, onde permaneceremos na purificação da Misericórdia de Deus para entramos no Céu em Santidade. Se morremos sem comunhão com Ele, o ignoramos, não queremos cumprir os mandamentos ou blasfemamos contra o Espírito Santo (Mt 12,32), temos a pena do Inferno, isso quer dizer; sem contemplar a face de Deus e viver a vida eterna sem Cristo. Deus não predestina ninguém para o Inferno; para isso é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal) e persistir nela até o fim.
Na Liturgia Eucarística e nas orações cotidianas de seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus para que todos alcancem a sua misericórdia e sejamos salvos:
Recebei, ó Pai, com bondade, a oferenda de vossos servos e de toda a vossa família; dai-nos sempre a vossa paz, livrai-nos da condenação e acolhei-nos entre os vossos eleitos.
Com a Igreja, oremos todos os dias por nossa conversão, busquemos a confissão de nossos pecados e a mudança de vida. Para que alcancemos a Coroa da Justiça, e possamos dizer como São Paulo: “Quanto a mim, já fui oferecido em libação, e chegou o tempo de minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo juiz, naquele dia; e não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor sua aparição” (2Timóteo 4,6-8).